Campeão da Libertadores de 1981 com o Flamengo, o ex-meia Lico acompanha de perto a caminhada de outro imbitubense no clube: o volante Jorginho. Assim como ele, o jogador chegou ao Rubro-Negro em ano de decisão continental e ganhou espaço rapidamente no time titular.
Em entrevista, Lico contou que vê coincidências entre as duas histórias e muita expectativa para que o conterrâneo conquiste a América com a camisa rubro-negra, como ele fez há mais de quatro décadas.
– A expectativa não muda muita coisa. A carreira do jogador só vinga realmente se você conquistar títulos. A Taça Libertadores é uma das competições mais importantes que todo clube sul-americano busca – afirma.
Lembranças da Libertadores e do “sufoco” no Chile
Lico relembrou que, ainda no início da carreira, quando jogava no América de Joinville, ouviu pelo rádio uma final de Libertadores envolvendo um clube argentino e ficou impressionado com o clima de pressão.
– Eu escutei pelo rádio uma final lá na Argentina, e aquilo mexeu comigo. Pensei: “Pô, estão atirando isso, aquilo, em cima dos jogadores, que sufoco”. Anos depois participei pelo Flamengo e aconteceu quase a mesma coisa contra o Cobreloa, no Chile – recorda.
Para ele, a competição exige muito mais que talento com a bola nos pés:
– A Libertadores requer muita atenção, preparação psicológica, muito treinamento para enfrentar esses clubes. Hoje é diferente, porque o Flamengo enfrenta outro brasileiro, o Palmeiras, mas a pressão é a mesma.
Lico viu Jorginho “nascer” para o futebol
Lico também acompanhou de perto o início da trajetória de Jorginho, ainda adolescente, em competições pelo interior de Santa Catarina.
– Me lembro de um torneio em Brusque, ele devia ter uns 13, 14 anos. Era o meia 10, canhoto, inteligente. Tinha também o Ramon, filho do Alemão, centroavante muito bom. Aqueles três meninos chamaram minha atenção – conta.
Segundo o ex-meia, a passagem dos garotos por uma clínica de formação de atletas, com alojamento e estudo, já mostrava a determinação de Jorginho:
– Eles foram cedo pra longe da família, com 14, 15 anos. Isso já demonstra a determinação que ele teve. Enfrentou tudo isso e hoje está aí, defendendo essa camisa bonita do Flamengo e dando alegria pra todo mitubense.
Lico destaca o papel histórico de Imbituba na revelação de jogadores:
– A gente quer que mais um, depois outro, conquistem títulos para fortalecer o nível que Imbituba sempre teve na descoberta de jogadores pro futebol catarinense e brasileiro. Jorginho é um deles.
“Passe perfeito” e futebol consistente
Quando fala de Jorginho dentro de campo, Lico se empolga. Ele define o conterrâneo como um volante completo, que organiza o time e quase não erra tecnicamente.
– O Jorginho tem um futebol muito consistente. Seja na marcação, seja na rapidez de movimentação da equipe. Ele aparece sempre desmarcado para organizar a saída de bola. Desde pequeno não errava passe. O passe dele era quase sempre perfeito, no pé – descreve.
Comparações com o time de 81
Questionado se vê em Jorginho alguma semelhança com Andrade, ídolo do Flamengo nos anos 80, Lico faz ponderações:
– Poderia ter alguma semelhança, mas o tempo era outro. O Andrade, para mim, junto com Cerezo, Falcão, Clodoaldo, Gerson, foi um dos melhores volantes que vi jogar. Ele marcava sem fazer falta. Chegou a marcar o Maradona no Maracanã, que perguntou quem era aquele jogador.
Confiança no Flamengo e recado para a final
Sobre a decisão contra o Palmeiras, Lico evita “conselhos”, mas vê o Flamengo em momento superior:
– O Flamengo vive um momento muito bom, consistente. Tem um treinador que jogou na Europa, inteligentíssimo, que cobra performance melhor a cada jogo. E os jogadores executam. O time não deve se amedrontar com nenhum adversário. É encarnar a decisão: jogar, correr, lutar, botar a alma pra fora.
Sofá, vinho e filhas flamenguistas
Ídolo histórico, Lico segue sendo referência para os torcedores rubro-negros e também dentro de casa. As três filhas são flamenguistas assumidas.
– É bacana ver o amor que elas têm pelo Flamengo. Como pai, o que importa para mim e para a Simone, minha esposa, é ver as filhas felizes. Não tem premiação melhor – diz.
Apesar dos convites de embaixadas rubro-negras para assistir à final com a torcida, ele prefere a tranquilidade do lar.
– Tive convites da Fla Braços do Norte, Fla Floripa, Fla Zimba… É muita euforia, é bacana, mas eu prefiro tomar meu vinho no sofá, mais tranquilo, conversando com as filhas. A gente vibra junto, comemora, manda beijo na hora do gol — finaliza










