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À Flor da Pele: colunista Érika Bernardes reflete sobre a questão da cultura negra e a sua Artigos

À Flor da Pele: colunista Érika Bernardes reflete sobre a questão da cultura negra e a sua "negritude", que emociona

# por Érika dos Reis Bernardes 19-06-2021 há 5 mêses 825

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Esta semana refleti sobre a questão da cultura negra. Vendo o programa da Fátima Bernardes de terça-feira (15), com a maravilhosa cantora Iza, começaram a falar sobre o crescimento de ícones de pele preta, e me emocionei.


Quando eu tinha seis anos de idade, eu queria porque queria alisar os cabelos, não gostava do meu cabelo gigante - que era lindo demais. Hoje, parei para pensar, e tive uma pequena explosão de sanidade: em Caxias do Sul, a maioria da população era alemã e/ou italiana, logo, minhas coleguinhas de aula tinham traços de alemães e italianos, sempre de cabelo claro e liso. E eu era a única da minha turma, de cabelo cacheado, e por ser criança, queria ser igual a todo mundo. Eu, realmente, não gostava de andar de cabelo solto. 

Por ter sido criada em ambiente que havia mais pessoas brancas, não foi ensinado a mim o que é ser negro, mesmo todos me chamando de neguinha - eu amo esse apelido! Nesta época, os únicos exemplos de mulheres negras que se falavam mais eram Beyoncé, Rihanna e Ivete Sangalo - que eu me lembre. E eu sempre fui apaixonada pela Beyoncé e a Ivete, elas eram as mulheres que eu queria virar um dia. Eu não me dava conta que eram as únicas negras mais famosas, até essa semana.


Apareceu no programa uma pequena pretinha linda, de um ano e meio de idade, ela era fã nº 1 da cantora, gente, aquilo me emocionou de tal forma… Quando crianças não se veem em outra pessoa, a autoestima fica vazia, não tem em quem se espelhar. Claro que seguem os exemplos dos pais - comportamento e costumes - mas a forma de como se encaixar na sociedade, vendo o respeito e admiração que as pessoas têm sobre esses famosos, as motivam a serem melhores. Representatividade, simplesmente. 


O movimento negro não é tão antigo aqui no Brasil. O primeiro movimento foi em 1978 na cidade de São Paulo, chamado de Movimento Negro Unificado (MNU), que foi motivado por conta da discriminação sofrida por quatro jovens negros em um clube da cidade. Isto é, são apenas 43 anos de luta contra o preconceito por causa da cor da pele. E percebo que em 2021, ainda existe injustiças causadas contra esse povo. Nosso povo. Enquanto aos seis anos de idade, meninas como eu, se achavam feias por terem cabelos cacheados, havia uma luta enorme lá fora, por nós. Mas não nos é ensinado na escola esse tipo de coisa, apenas as questões da escravidão e a libertação da escravatura, mas a história do povo negro visto por um negro, apenas se pesquisarmos. 


Nos dias atuais, vemos com mais frequência, ícones da cultura, esporte e ciência com traços parecidos com os nossos, cor parecida com a nossa, tendo sucesso e liberdade para expor seus ideais e seus estilos. Espelhos que crianças irão refletir-se e crescerem com mais entendimento sobre quem são. Ainda temos muita estrada para caminhar, em busca do reconhecimento da história dos nossos antepassados e a liberdade de sermos nós mesmos: Pretos, Morenos, Mestiços e Humanos. 

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