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"Nós cuidamos de Imbituba": moradores limpam praia, plantam árvores, protegem dunas e manifestam contra estocagem de granéis líquidos

por Administrador 10-12-2019 há 1 ano 2215

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Cerca de 60 moradores de Imbituba, neste domingo (08), retiraram mais de 1300 unidades de lixo do canto da praia da Vila, em uma ação paralela ao Circuito Mini Kalzone Surf Talentos Oceano denominada “Nós Cuidamos de Imbituba”, pela preservação ambiental da cidade e contra a instalação da empresa de granéis líquidos Cattalini. 

Por iniciativa do projeto Plante, eles também plantaram mudas nativas da Mata Atlântica como aroeiras e gabirobas, cercaram as dunas na área da restinga e instalaram placas para educação ambiental.

Na limpeza da praia ao lado do Porto de Imbituba, os resíduos mais recolhidos foram as bitucas de cigarros (504 unidades), seguidas dos plásticos e microplásticos, que somaram juntos mais de 470 itens.

Participaram das ações o Instituto Ecosurf-SC , projeto Plante, Associação de Surf de Imbituba (ASI), projeto Cidadão Ecológico, Associação de Moradores da Rua de Baixo, Associação dos Amigos e Surfistas da Praia do Porto (Asaep), Instituto Australis, Instituto Monitoramento Mirim Costeiro, ONG Eco Local Brasil, Projeto de Monitoramento de Praias – PMP/ UDESC Laguna,  Lets Go Surfinggirls, Surfe Feminino em Movimento, Ser Humano Surf, Conselho Comunitário da Ibiraquera, Movimento Rosamor, Rota da Baleia Franca, Swell Eventos, Açaizeiro e Movimento Fora Cattalini.

Amanda Suita, voluntária do Instituto Ecosurf-SC disse que a iniciativa mostrou que “a população quer cuidar do meio ambiente nesta que é uma das melhores praias para a prática de Surf”. Ação também serviu para mostrar a unidade da população imbitubense contra a instalação da empresa Cattalini Terminais Marítimos, que em 2016 anunciou planos de expandir suas operações para Imbituba. Desde agosto deste ano, mesmo com a existência de uma lei municipal (Lei N. 4752/2016), que proíbe este tipo de empreendimento, voltou, oficialmente, a investir na possibilidade, com ações de marketing que tentam "convencer" a população.  

Maior terminal privado de granéis líquidos da América Latina em Paranaguá (PR), a empresa anunciou que tem a intenção de investir R$ 300 milhões em SC para um terminal que estocaria, em grande quantidade, combustíveis e óleos vegetais altamente inflamáveis que chegariam pelo porto, para a distribuição da região.

Um dos combustíveis é o metanol, que explodiu em 2004 durante o desembarque de 14 milhões de litros em Paranaguá, em uma das maiores tragédias ambientais e humanitárias da história do Paraná, quando morreram quatro tripulantes do navio chileno Vicuña, além de milhares de vidas marinhas. 

Até hoje, os pescadores artesanais não recuperaram o potencial econômico que tinham antes do desastre, como apuraram vários veículos de imprensa paranaenses e uma comissão do movimento Fora Cattalini que visitou o local.
“Desde o acidente, os pescadores não conseguem pescar mais nada e tentam viver da venda de artesanato, porém o turismo também quase não existe mais lá”, contou Mário Teixeira Filho, o Marinho), um dos líderes do movimento. 
Segundo Marinho, milhares de pescadores receberam indenizações irrisórias, que não ultrapassaram R$ 1 mil, pagas em parcela única. A comissão também ficou surpresa com a demora na indenização dos vitrais de uma igreja quebrados na explosão, que aconteceu apenas este ano.


“Bomba Relógio”

As operações de granéis líquidos já causaram estragos em outras partes do país. Em Santos, SP, um incêndio nos tanques da empresa Utracargo queimou combustíveis por oito dias, em 2015. Este acidente foi antecedido por outro, um vazamento de 400 mil litros de combustível no mesmo lugar, uma semana antes, como informou uma reportagem do site Boqnews. Acidentes na estocagem de combustíveis em Santos ocorrem desde os anos 1950, ao menos dois incêndios aconteceram na cidade na última década do século XX, em 1991 e 1998.

Ana Carolina Gonçalves, uma das lideranças do Movimento Fora Cattalini, ponderou que os moradores não estão atacando a empresa, ao contrário: “estamos nos defendendo”.Para o movimento, a eventual instalação da empresa, além de ser uma “bomba relógio” é desnecessária para a economia local. “Imbituba não precisa disso. Temos potencial turístico, indústrias fortes que estão se instalando na margem da BR 101. Não estamos jogados às traças e nem somos uma cidade que ninguém quer”.

Apesar da Cattalini ter suspendido seu projeto em 2016, quando a cidade proibiu armazenagem de granéis líquidos perigosos com a sanção da Lei N. 4752/2016, e empresa segue com iniciativas em Imbituba.


Marketing para tentar ludibriar imbitubenses  

A empresa mantém uma página no Facebook chamada “Somos Todos Imbituba” para, oficialmente, ser “um espaço para conversar sobre o desenvolvimento sustentável de Imbituba e Santa Catarina”. No entanto, o conteúdo é voltado para divulgar as ações da Cattalini na cidade, com vídeos captados de moradores locais e posicionamentos oficiais da diretoria.

Em uma das postagens, a Cattalini rebate um ofício do prefeito municipal Rosenvaldo Júnior. Neste ofício, publicado no dia 29 de outubro, ele pondera que o empreendimento tem “enorme potencial de retorno de tributos”, mas, “muitos outros empreendimentos de menor risco podem alicerçar nosso crescimento de maneira mais sustentável e segura”.
O petista escreveu que é contrário ao projeto como cidadão e como prefeito, pois “tenho que representar o desejo dos cidadãos de Imbituba que já demonstraram claramente sua contrariedade”.

Em uma postagem de 1 de novembro, a Cattalini avalia que o ofício demonstra que o prefeito rejeitou antecipadamente a audiência que ainda realizaria, rejeitando, assim, “o caminho do diálogo construtivo que pretendíamos estabelecer com a prefeitura”. Também diz que é superficial e não representa “a vontade da maioria dos cidadãos de Imbituba”.

Resistência

Mesmo entre os empresários não há consenso. Oficialmente, Associação Empresarial de Imbituba (ACIM) é favorável ao projeto. Seu presidente, Adilson Silvestre, depois de visitar as instalações da Cattalini no Paraná, declarou à imprensa que “a chegada de uma empresa desse porte fomentaria o comércio local, ajudaria a modernizar as atividades portuárias e contribuiria socialmente com o município”.

No entanto, ativistas do movimento Fora Cattalini dizem que ele não representa a posição da entidade. “Neste assunto, o presidente não fala por toda a ACIM, porque os núcleos setoriais não foram consultados”, alerta o ativista Hudson Sozi.

Ana Carolina, que é do ramo da construção civil, também concorda que o presidente da entidade não está pensando nos interesses da coletividade. “Não dá para dizer que é todo o setor empresarial da cidade. São 4 ou 5 empresários que têm essa visão”.

Contra a visão economicista de parte do empresariado, ela diz que é preciso pesar todos os indicadores e não apenas o crescimento econômico de qualquer maneira. Para isso, ela compara o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) e o Produto Interno Bruto (PIB) dos dois municípios.

O IDHM de Paranaguá (0,750) é inferior ao de Imbituba (0,765) ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) per capta seja muito superior, R$ 63 280,82 contra os R$ 31 256,53 do município catarinense. “Mesmo com toda a riqueza que a Cattalini gera lá, o IDHM deles é menor do que o nosso. Por que a gente iria querer isso também?”, questiona.

Enquanto a Catallini joga para o futuro seu projeto, o movimento Fora Cattalini já envolve diretamente 300 pessoas e conta com o apoio de diversas entidades para realizarem novas iniciativas em conjunto. A organização aposta na manutenção da mobilização em defesa da cidade.

“Pela primeira vez unimos todas as iniciativas que aconteciam individualmente. Começamos esta ação em conjunto pelo Canto da Praia da Vila e vamos levá-la para outros ambientes naturais da cidade”, explica Amanda.
Hudson aposta nas novas gerações que se juntam a veteranos como ele próprio e Marinho. “A juventude é uma força para todos nós, contra  especuladores e a poluição ambiental”, aposta.

*Com informações de Marcelo Luiz Zapelini / Portal Desacato

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