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Na coluna Baú Açoriano, pesquisador Ronaldo Pires traz toda a beleza e história do 'Garapuvu: Árvore nativa da nossa região' Cultura

Na coluna Baú Açoriano, pesquisador Ronaldo Pires traz toda a beleza e história do 'Garapuvu: Árvore nativa da nossa região'

# por Ronaldo Augusto Pires 21-10-2020 há 1 mês 1015

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Garapuvu, árvore símbolo do litoral catarinense,  colore de amarelo as nossas montanhas.

Aproximadamente, na primavera, podemos observar a beleza da coloração amarela em nossos morros, principalmente no Morro do Mirim, em nossa querida cidade de Imbituba.

Essas árvores, nós, pesquisadores, identificamos como árvore nativa e histórica para nossa região. 

Morro do Mirim – Propriedade de Fermiano Manoel Vieira. Foto: Roni Ronaldo

 

Antigamente, antes da forte urbanização, era fácil encontrar essa linda árvore charmosa em casas das famílias até meados do século 19.

A Freguesia de Sant’Anna de Villa Nova e região, era rodeada pelos Garapuvus.
 

Igreja de Sant’Anna de Vila Nova no início do século 19 Fabiano Teixeira dos Santos
Igreja de Sant’Anna de Vila Nova no início do século 19. Desenho: Fabiano Teixeira dos Santos


O Garapuvu, tem uma  floração amarelada que  nos encanta,  diante de seu tamanho e de tronco elegante,  onde serve com seu tronco para confecção da Canoa de um pau só.
 

Propriedade de Lucas Rech, em Nova Brasília Foto: Roni Ronaldo




A técnica para construção das canoas foi obtida com os indígenas que há mais de três mil anos caçavam tubarões e raias, e foi aprimorada com a chegada dos vicentinos e africanos na formação das armações baleiras. Esse aspecto é fundamental porque a caça das baleias começou no Brasil um século antes de ser praticada nos Açores, sendo os açorianos migrantes a partir de 1748 para Santa Catarina majoritariamente agricultores.



 

O Garapuvu teve o tombamento como árvore símbolo da cidade de Florianópolis,  em 1992,  foi uma espécie de tributo a sua importância histórica e floração,  mas representou também uma reviravolta na vida do pescador.  Além da proibição de corte,  vieram as dores nas costas e o antigo ofício virou apenas lembrança.  
A canoa hoje é Marco do passado,  relíquia que sucumbe com a pesca artesanal nas comunidades tradicionais da Ilha e das cidades vizinhas colonizadas.


Zico esculpe, navega e espalha árvores na Ilha. Fonte: ND Mais


Com essa floração amarelada se torna a mais bonita na mata. Para o corte do tronco para confecção da canoa eram escolhidas de longe, pelo poste e o corte do tronco era feito ainda na mata.  Costumava-se a ser arrastado em mutirão, onde era entalhada, primeiro com machado e depois com dois tipos de enxó -  reta e goiva, “popa e proa,  que são curvas,  dão mais trabalho”. A  espessura do casco varia entre 2 cm na borda,  4 no bojo e 6 no calado abaloado.
Dizem  que os velhos canoeiros escolhiam apenas árvores com mais de 15 anos para corte, entre junho e agosto,  meses de poda e que antecede a floração.  É quando a madeira está madura e mais resistente, na racha no sol. 

A madeira do garapuvu é a mais adequada para fabricação das canoas de um pau só,  exatamente pela leveza e facilidade de entalhe. Muito leve,  é indicada também para miolos de painéis e portas,  brinquedos, saltos de sapatos,  gamelas,  formas de concreto,  compensados  e caixotaria.

No período de floração,  o amarelo do guarapuvu destaca-se entre as árvores de grande porte da mata atlântica e transforma-se em um dos principais atrativos para abelhas. Seu desenvolvimento é rápido,  atingindo,  em média,  30 metros em 10 anos,  início da fase adulta e estagnação do crescimento.

Estrada que costeia o Morro do Mirim. Foto: Roni Ronaldo

O fruto amadurece no outono,  em forma de vagens bivalvas.  Cada uma carrega apenas uma semente grande,  lisa e rígida,  que se dispersa pelos ventos.  Apesar de não alimentar pássaros, há relatos, em que pode ser levada no bico de gralhas azuis,  talvez confundida com o pinhão.  É uma forma de espalhar a árvore pelos morros.

Esta árvore é apropriada para jardins extensos,  parques e praças,  modificando em poucos anos a paisagem.  Além do aspecto escultural do caule e da copa,  o garapuvu tem importante papel no reflorestamento de áreas degradadas de Mata Atlântica.

Deve ser cultivada sob sol pleno,  em solo fértil, enriquecido com  matéria orgânica e irrigado regularmente no primeiro ano.  O garapuvu prefere locais úmidos como as margens dos rios,  lagos e possibilidades de nascentes em encostas.


Aproveitem para apreciar nessa primavera esse espetáculo da natureza. No passeio que fiz, consegui contar mais de 80 pés com a floração amarela, fora os que estão mata adentro. Garapuvu, também deve ser símbolo de árvore nativa da região e merece lei de proteção e tombamento. 
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