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Cena de interior: Por que a sodomização do negro não incomodou os críticos da exposição tanto quanto o coito com um animal? Artigos

Cena de interior: Por que a sodomização do negro não incomodou os críticos da exposição tanto quanto o coito com um animal?

# por Viegas Fernandes da Costa 12-09-2017 há 4 mêses 1245

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O Lobo Mau comeu a Chapeuzinho Vermelho e tudo bem.
O Pernalonga vivia atirando na cara dos seus desafetos e tudo normal.
E as bombas da ACME, lembra?
Tem até aquele lance de zoofilia, da princesa beijando o sapo.
Mas um beijo homossexual em um desenho Disney é o fim dos tempos?
Uma exposição de arte com uma obra de Adriana Varejão mostrando cenas do interior de um país colonial se transforma em atentado contra a civilização?
Quanta hipocrisia!
Beijo homossexual não deseduca ninguém. 
A arte de Adriana Varejão nos leva a refletir sobre a nossa história.
O que deseduca é a violência doméstica, o machismo nosso de cada dia, a violência transformada em mercadoria no noticiário matinal, vespertino e noturno, a homofobia, xenofobia e outras “fobias” mais, a obscenidade na política brasileira, um ministro das Relações Exteriores chamando de filha da puta o jornalista (quando as putas são muito mais dignas que o autor do impropério), o médico que ensina aos colegas como matar uma mulher vitimada por um AVC.
O amor é educativo.
O beijo também.
Assim como a arte.
Porque não foi a tal cena de zoofilia ou o uso de símbolos religiosos que levou os arautos do obscurantismo a exigir do banco Santander a censura da arte.
Aliás, muitos que criticam a exposição sequer viram as obras. Falam de “apologia” mas desconhecem o significado da palavra. Porque no caso da obra de Varejão, não há apologia; há DENÚNCIA. E a propósito, na obra vemos ainda um negro sendo sodomizado. Por que a sodomização do negro não incomodou os críticos da exposição tanto quanto o coito com um animal?
A exposição foi censurada porque discute o não-lugar, a fronteira, o transgressor. 
Porque denuncia a hipocrisia da sociedade brasileira.
O silêncio em torno da cena dos brancos sodomizando o negro é clamoroso!
A voz dos senhores de engenho parida do alto das coberturas, como o daquele correntista que disse movimentar mensalmente R$ 600 mil no Banco Santander.
Não se trata de pintos, vaginas e crucifixos.
Tampouco de cabras.
Trata-se de não derrubar o pelourinho.


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