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Coluna Yoga e Consciência - Uma pausa para respirar: a mudança da noção do tempo durante a quarentena Artigos

Coluna Yoga e Consciência - Uma pausa para respirar: a mudança da noção do tempo durante a quarentena

# por Karin Véras 25-04-2020 há 1 mês 630

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Em tempos de quarentena a organização do tempo é um dos fatores que tem sido necessário rever, desde o âmbito pessoal e familiar, até no campo profissional, institucional e planetário. Se por um lado algumas pessoas estão com tempo ocioso e acabam mergulhando no vácuo da incerteza, da angústia e da preocupação com o futuro; por outro lado grande parte dos que ficam em sua residência estão sendo desafiados a manejar os afazeres domésticos com o trabalho em casa, o cuidado com filhos, parentes, bichos, etc.. Enquanto os trabalhadores de serviços essenciais: da saúde, limpeza, alimentação, dentre outros; acabam sobrecarregados pelas demandas que se apresentam. Sem falar nos milhares de desempregados e desamparados em decorrência da pandemia. 

A reflexão que se propõe nesse artigo é de como podemos nos organizar para criar espaços dentro e fora de nós que permitam um respiro a cada um e ao todo, desde os ociosos e ansiosos ou mesmo aqueles que têm conseguido uma relativa harmonia em casa, até os que se encontram desamparados com essa nova situação, muitos dos quais em situação de rua e sem ter pra onde ir. Lembrando que o movimento de cada um atinge seus mais próximos e reverbera em escala comunitária e planetária, numa rede de afetos e efeitos globais. Se a Terra pediu uma pausa para respirar é imprescindível que também nós encontremos espaços para pausar, recobrar o fôlego, e seguir para o novo, o inesperado; encontrando o alento necessário à restauração da vida orgânica, social e ambiental que o momento nos solicita.

Amadurecer para uma nova concepção de tempo implica numa decisão consciente de abandonar os padrões do passado que infringiram tantas ações inconscientes e inconsequentes para a vida na Terra; assim como lançar um olhar para frente com equanimidade e esperança sobre tudo o que possa vir, ainda que não saibamos os contornos exatos dessa nova organização mundial. Requer, ainda, uma disponibilidade única de nos situarmos no exato momento do agora, e por mais desafiante que possa estar ou parecer, recebermos cada momento como um presente. Para isto, o convite é  fazer uma pausa, se possível diariamente, e entrar em contato com nosso próprio ritmo interno, praticando a observação consciente da nossa própria respiração: esta função biológica essencial que só pode acontecer no momento presente e que permite uma completa restauração orgânica, abrindo espaço para a percepção e reorganização de pensamentos e sentimentos que, caso não sejam observados, podem nos contaminar.

A sugestão é se dar um tempo para observar a respiração, de cinco a dez minutos, uma ou duas vezes ao dia. Permitindo-se abrir um espaço para se reorganizar desde dentro e para isto, nada melhor do que “encontrar um respiro” entre uma atividade e outra. Em outras palavras, significa buscar um ritmo próprio, um pulso, uma cadência para manejar com tudo que está se passando dentro e fora de nós, e que acaba se expressando na forma como respiramos. Assim, modulando nosso movimento respiratório podemos, igualmente, trazer um ritmo mais apropriado e consciente para nossas atividades diárias. 
A ideia é reservar um espaço durante o dia - pode ser quando acordar, ou logo antes de dormir, ou se possível nesses dois momentos - para observar sua inspiração, sua expiração, e a possibilidade da pausa entre esses movimentos respiratórios. Com o tempo, podemos passar a perceber também as pausas entre um barulho e outro, um pensamento e outro, uma atividade externa e outra. Existe um caminho para desenvolver essa percepção, mas tudo começa com o primeiro passo: apenas uma pausa para respirar! 

Refletir sobre uma noção do tempo que incorpore as pausas necessárias para configurarmos uma nova relação conosco mesmos, com nossos afazeres, nossos afetos e  com o ambiente que vivemos, significa reconhecer nossa profunda conexão com a Terra. Reconhecer que nossa casa comum - chamada pelos andinos de Pachamama (Mamãe Terra) e por alguns cientistas de Gaia - tem seus ciclos de criação, destruição e renovação e, como nós, também respira, pulsa e vive! Dentro dessa perspectiva de  interconexão entre o micro e o macrocosmo, notamos que o presente momento convoca os seres humanos a reorganizarem sua noção de tempo, espaço, sociedade, imunidade, solidariedade, serviço, humanidade. Enquanto isso, o planeta Terra, como um organismo vivo, aproveita essa pausa para respirar e se regenerar. Vamos nos sincronizar com o pulso da Terra e oferecer a ela um tempo para se restaurar enquanto nos damos um tempo para respirar?


Exercício de modulação pulmonar: observando a respiração e as pausas entre uma inspiração e uma exalação, um pensamento e outro pensamento, os sons e o silêncio

Descrição: Sente-se numa posição confortável, com as costas eretas - que podem estar  apoiadas num encosto, e os pés tocando o chão – que podem também se valer do apoio de uma almofada embaixo deles. O importante é encontrar uma postura que seja firme, leve e confortável para executar o exercício. Para isto o abdômen deve estar relaxado,  o peito aberto, as mãos pousadas sobre as coxas. Uma vez encontrada uma boa postura, feche os olhos e inicie a observar a sua respiração.

Inspire profundamente e permaneça alguns instantes com o pulmão cheio (pausa), depois expire longamente, esvaziando completamente os pulmões e observe uma pausa ao final da inspiração – completando um ciclo completo de respiração consciente. Volte a inspirar profunda e longamente, segurando o ar o maior tempo que puder com leveza e conforto, então expire longamente até esvaziar completamente os pulmões e observar uma pausa antes da próxima inspiração.

Faça pelo menos oito ciclos de respiração completa com atenção, curiosidade, relaxamento, consciência – dando-se o tempo necessário para observar seus movimentos respiratórios: a inspiração, a exalação e as pausas. Lembre-se de prestar atenção em cada movimento de uma vez, ou seja, apenas uma inspiração (pausa), apenas uma exalação (pausa), como se só existisse aquele movimento observado e essa fosse a única respiração possível para este momento... sem pressa, sem querer chegar a lugar nenhum, sem interferir artificialmente, apenas observar o ar que entra e que sai naturalmente, e as pausas que acontecem entre um momento e outro. 

Se for mais fácil manter a atenção nesse exercício, você pode incluir uma contagem mental. Neste caso sugiro que você inspire em quatro tempos (contando lentamente: um, dois, três, quatro...), segure o ar mais quatro tempos ou o tempo que lhe for confortável, depois exale em quatro tempos e observe uma pausa de dois tempos antes de iniciar a próxima respiração. Veja se contar facilita a execução do exercício para você. Verifique também se a contagem sugerida é confortável para seu ritmo respiratório e vá fazendo os ajustes e as modulações necessárias. O importante aqui é observar uma inspiração profunda, segurar um pouco o ar, exalar longamente e observar uma pausa antes da inalar novamente.

Observe seus movimentos respiratórios como ondas do mar que vem e que vão, ou como um peixe que respira no fundo do mar, fluindo suavemente com a água enquanto respira. (ver vídeo abaixo). Você não precisa fazer um grande esforço para que esses movimentos aconteçam. O convite é para estar presente e interferir no ritmo respiratório apenas através da sua observação. Verifique o que acontece quando você apenas leva sua atenção, de forma consciente, ao respirar. 
Após a execução do exercício fique alguns instantes ainda na postura do início da prática, e observe o que aconteceu com a sua respiração e qual o fluxo dela agora. Ela se mantém igual ou se modifica? Ela se aprofunda? Você se agita ou se acalma enquanto a observa? Seu corpo se contrai ou se relaxa? Os pensamentos ficam mais intensos ou mais espaçosos? E as emoções?

Lembre-se que a respiração é o pulso da vida. Ela é o alento único de cada organismo e através dela você pode observar seu próprio ritmo, as pausas necessárias, e aprofundar no autoconhecimento, bem como perceber a sincronia entre o pulsar do seu corpo, dos outros seres que vivem com você, e mesmo com o pulsar da própria Terra. Então que tal reservar um tempo do seu dia para aprofundar nessa percepção e promover, gradativamente, um maior bem estar a si mesmo e ao ambiente ao seu redor?

Em homenagem ao Dia Internacional da Terra, convidamos os leitores a pesquisarem e nos enviarem o contato de projetos que estejam ocorrendo em sua região para contribuir com a conservação ambiental e com as pessoas/comunidades em situação de vulnerabilidade social. Nossa intenção é apoiar, divulgar e envolver o maior número de pessoas, numa rede que pulsa pelo bem, cuidando de nós mesmos e de mais alguém. Envie sugestões, comentários e os projetos para serem divulgados nos contatos: 

karinveras@hotmail.com

Instagram: karinmveras 

Eu sou Karin Maria Véras, jornalista, antropóloga e dançarina-yogue. Pratico e ensino Yoga Integral, Yoga para Crianças e Dança Espontânea em Florianópolis, e tenho especial interesse na interface Yoga/Arte/Educação/Meditação. Convido-os a embarcarem comigo nessa jornada de autoconhecimento, abertura de consciência e atuação baseada nos princípios do yoga. Lembrando que, como disse o poeta, político e yogue Sri Aurobindo: “A Vida toda é Yoga”. 
Namastê!
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