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HOMENAGEM SURFESTA: OP PRO IMBITUBA 94 Artigos

HOMENAGEM SURFESTA: OP PRO IMBITUBA 94

# por Eduardo Rosa 29-08-2017 há 1 ano 919

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RELATOS E BASTIDORES DE UM DOS MAIORES EVENTOS JÁ OCORRIDOS EM IMBITUBA E QUE FICOU MARCADO NA HISTÓRIA DA CIDADE

O OP Pro Imbituba 94 surgiu num tempo em que a ICC já dava suas últimas fumegadas em Imbituba, após comprometer tanto a praia da Vila quanto os bairros próximos ao centro da cidade. E muitos ainda costumam lembrar como era.

A partir daí, o dito fantasma da antiga e famigerada indústria de produção de ácidos sulfúrico e fosfórico, matéria-prima para fertilizantes, volta à cabeça de todos quando o assunto é preservação do meio ambiente ainda intacto em Imbituba.

E foi isso que despertou o interesse de Sidnei Tenucci, o hoje já falecido Sidão da OP, proprietário da principal marca do esporte no país, e considerado um dos maiores visionários da indústria nacional de surf, após ver uma matéria minha de oito páginas numa das maiores revistas de surf do Brasil, a Hardcore, com o título, ‘Industria Catarinense de Ondas Pesadas’, em alusão a famigerada industria que estava para fechar definitivamente.

Como tudo começou

A partir daí, o contato foi feito por Roberto Perdigão, há época diretor executivo da Abrasp - Associação brasileira de surf Profissional -, e hoje Diretor da World Surf League – WSL – na América do Sul, que me procurou aqui em Imbituba.

Quando a matéria na revista Hardcore estava por sair - em julho de 93 - o prefeito há época, Jerônimo Lopes gostou tanto de saber que me convidou pra trabalhar na prefeitura, divulgando a cidade, bem como para me ajudar nos estudos na UNISUL em Tubarão. Aceitei na hora. Era presidente da ASI, e como aconteceu em muitos anos, a entidade passava trabalho para se manter de pé.

O primeiro contato feito por Perdigão, em agosto de 93, foi com o Romeu Pires Filho, diretor de turismo da prefeitura até hoje, o qual me procurava para repassar o interesse da marca OP em trazer seu maior evento para Imbituba. O evento de maior sucesso no Brasil vinha ocorrendo desde seu princípio – em 1985 - na praia da Joaquina, em Florianópolis, entre algumas passagens pelo Rio de Janeiro.

Por sorte, estava no gabinete do prefeito no momento que passaram a nova ligação do Perdigão com a solicitação, e aproveitei para dar um susto no Jerônimo ao aceitar de primeira que o evento viesse a acontecer em Imbituba, ‘impreterivelmente’.

O Jerônimo deu um pulo de sua cadeira, e assim que terminei a conversa com o Perdiga, argumentou que eu não sabia o que eles iriam solicitar à prefeitura para que o evento ocorresse aqui. Eu disse que até então, Imbituba nunca tinha tido aquela chance de trazer um evento daquele porte pra cá. E que não iriamos perder de jeito nenhum. Mas, explique também, que eles viriam ainda assinar o termo de compromisso para que o OP Pro pudesse ser concretizado

Início dos trabalhos: Uma comissão foi montada

A partir dai, eu e o Romeu Filho, assumimos a empreitada e começamos a ‘descascar aquela banana’  e correr atrás de tudo que era necessário. Mas era um prazo muito curto para se fazer um evento daquele porte, ainda mais com tudo que o Sidão quis fazer para incrementar ainda mais seu principal carro chefe de mídia.

Era setembro, quando o Sidão apareceu por aqui, junto do Edson Ledo Ronchi, da Revista Inside -, o David Husadel - Campeão Brasileiro de Surf - e o Secretário de Turismo há época, o Ricardo Ziemath, das pranchas ISF, assinarmos o 'Termo de Compromisso' que tenho guardado uma cópia até hoje, e começamos a correria.

Mas, como disse, o tempo era curto, e era muito complicado fazer um evento deste num lugar que nunca havia recebido algo parecido. E éramos apenas eu e o Romeu. Ai então, o Jerônimo sugeriu que montássemos uma comissão com várias entidades de Imbituba, já que era interesse de todos que o evento ocorresse. Rotary, Lyons, associações de bairros, ASI - o representante era do Renato Santos, o 'Borracha' -, ACIM, CDL, todos nos juntamos e partimos para a ação.

Só de passagens aéreas, para imprensa e staff técnico, que na época alguém teria de se responsabilizar por isso - e fomos nós -, conseguimos junto a Embratur mais de 90 bilhetes.

Depois a estrutura do evento tinha que ser minuciosamente preparada, e isso envolviam o palanque, leitos e alimentação para imprensa e staff, os hotéis – que eram poucos há época -, espaço para imprensa, os restaurantes – que também não eram muitos para atender a demanda de visitantes que viríamos a receber nos três dias de competição -, e tudo mais que um evento desses previa.

Ineditismo: OP Pro e o primeiro palanque realmente móvel na história do surf

Segundo o que apuramos, de inédito neste evento, além do canto da praia da Vila estrear no Circuito Brasileiro e até mundial de surf profissional- já que a competição era a 1ª etapa do Brasileiro e a 3ª do recém criado Mundial WQS da WSL-, foi o primeiro palanque móvel do Brasil, e talvez até do mundo, com o projeto feito pelo engenheiro Roberto de Bona, que ocupava o Gabinete de Planejamento da Prefeitura de Imbituba – Gaplan - há época.

Não tivemos notícia até então que outro palanque móvel como o nosso tenha sido produzido em cima da carreta de uma Scania. Que poderia ser deslocado para qualquer praia se precisássemos.



2º maior retorno de mídia em nacionais de surf

O OP Pro Imbituba 94 foi na época o 2º maior evento em retorno de mídia que havia ocorrido até então no Brasil e na América Latina. Pedia apenas para o histórico Mormaii Pro 88, na praia da Silveira, em Garopaba, com ondas de mais de 4 metros de altura.

E, por muitos anos, mais de uma década, o retorno que o Op Pro teve não foi batido por nenhum outro campeonato no Brasil. Foi superado apenas pelos Mundiais WCT no Rio de Janeiro, na década de 90.

Mística: No último dia grandes ondas salvam o campeonato

Um evento na praia da Vila, mesmo que fosse para ajudar a enterrar de vez a antiga ICC, não poderia acontecer sem as lendárias grandes ondas da praia da Vila. Além de toda a imprensa nacional cobrindo o evento, até a Rede Globo estava presente, com um caminhão link da RBS, fazendo flashs ao vivo direto da praia, para todo estado e país.

Jornalistas do Brasil inteiro, dos principais jornais, TV e rádio, tinham vindo não só pra cobrir este evento, mas pra conhecer tanta história que contavam sobre Imbituba desde meados da década de 60. Mas, na sexta feira, primeiro dia do campeonato, elas - as ondas - quase não apareceram.

Ondas, de meio metro em média, era o que a Vila fornecia naquele dia. O dia inteiro, entre os flashs ao vivo, a pergunta entre todos – principalmente pela imprensa nacional - era a mesma: “Será que a Vila não vai mostrar sua força?” Era visível a angústia entre todos, imprensa, atletas e comissão técnica.

Não havia a previsão adequada de ondas há época, ao menos não tão precisa quanto temos hoje. No sábado, as ondas estavam parecidas, mas um pouco maiores, e a tarde, chuva com lestada. Isso não resolveria o problema.

Festa no IAC e a premonição do Perdiga

Durante a noite de sábado, aconteceria no Imbituba Atlético Clube, a festa de entrega de premiação aos melhores surfistas profissionais e imprensa no ano de 1993.  Entre prêmios, festa e shows, a lestada apertou ainda mais. Ao encontrar o Perdigão no meio da festa, só ouvi uma frase dele: "Te prepara. Amanhã vai rolar", e um largo sorriso acompanhou sua premonição.

Perdigão é um profundo conhecedor das ondas de Imbituba. Viveu desde o início da década de 70 aqui, junto com Toni Catão - falecido -, Arnaldo Spyer, Victor Vasconcelos e cia, como conta a história do surf imbitubense.

Susto e surpresa. E que surpresa!!

No domingo - último dia do evento -, quando me dirigia para a praia por volta das 7 da manhã, já que eu passava sempre na sede da assessoria de imprensa montada no Imbituba Hotel - antigo hotel do Moreira -, para saber se estava tudo ok lá, vi o Renan Rocha - um dos melhores surfistas do Brasil e do mundo há época-, além de Victor Ribas, Armando Daltro, entre outros, voltando correndo da praia para o hotel.

E brinquei com eles, dizendo que a praia e o campeonato eram pro outro lado, E eles, "Viemos trocar de prancha. Nem sei se temos equipamento praquele mar". “Como assim?”, perguntei. "Vai lá e dá uma olhada no tamanho que está o mar!!".

A Vila acordou: Faltou prancha para muitos

Quando cheguei à praia da Vila, ondas de mais de 2,5 metros de altura quebrava atrás da ilha do canto, com uma força incrível. Foi aí que toda a expectativa e angústia de todos – inclusive da imprensa -, foi desfeita. Todo mundo feliz, quer dizer, nem tanto para os atletas que estavam lá fora desafiando a força do Canto da Vila.

Boa parte dos competidores imaginou que em pleno verão um swell como aquele não entraria, e não vieram preparados com equipamentos e pranchas adequadas para aquelas condições. Teve atleta profissional classificado para as baterias finais vasculhando a cidade naquela manhã de domingo, atrás de alguém que lhes vende-se ou emprestasse uma gunzeira – prancha feita para ondas grandes, - para continuarem disputando o evento.