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 Na coluna Baú Açoriano, Ronaldo Pires traz mais um tesouro da arca de nossos colonizadores: o delicioso engenho de farinha de mandioca Artigos

Na coluna Baú Açoriano, Ronaldo Pires traz mais um tesouro da arca de nossos colonizadores: o delicioso engenho de farinha de mandioca

# por Ronaldo Augusto Pires 26-01-2020 há 9 mêses 1958

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O tesouro do fundo do Baú Açoriano que trazemos para o deleite de nossos leitores é o Engenho de Farinha de Mandioca! Tesouro, sim! Que ainda, com muita resistência, quer ficar entre nós.

Atualmente, os que mantêm a sua funcionalidade são de engenharias mais modernas, mas que realizam a farinha de boa qualidade e suas iguarias.

Primeiramente, devemos  dar enfoque aos primeiros habitantes, antes da colonização luso-açoriana em nosso litoral, principalmente em nossas terras de Sant'Anna.

Entra em ação, o nosso querido índio carijó, que fez ocupação em nosso litoral por centenas de anos. 

Os índios carijós viviam utilizando o que a natureza do litoral lhe ofertava e se alimentavam de frutas, animais, peixe e  especificamente, a mandioca. 

Eles tinham o seu pão, que era derivado da mandioca.  O plantio e a colheita de qualquer cultura agrícola eram feitos pelas mulheres, cabendo aos homens as atividades da caça e da pesca. O plantio era feito e esperavam de 3 a 4 meses para a colheita e inciarem o processo. Todo esse trabalho, nosso índio fazia em pequena escala para sua sobrevivência. Não visava sistema econômico, 

Partimos então agora para o século 18, sobre o povoamento europeu no litoral catarinense. Os açorianos que chegaram  a partir de 1748, eram, basicamente, lavradores acostumados a plantar o trigo, principal fonte de alimentação do arquipélago, e a cevada. Trabalhavam com atafonas na moagem do trigo, utilizando a força eólica para movimentar os poéticos “moinhos de vento”, muito comuns no arquipélago de Açores. 

Aqui, o trigo não vingou, as terras não eram apropriadas para esse tipo de cultivo, pela presença de densas florestas.  

Assim, os açorianos acabaram se adaptando ao alimento da terra, a mandioca. Foi o beijú que salvou a necessidade básica desses colonos, substituindo o pão. Eles aprenderam o cultivo da mandioca e sua utilização como alimento e, ainda, a extrair, também, o polvilho com o qual produzem roscas, broas e outras iguarias.

Beijú salvou a necessidade básica dos colonos, substituindo o pão

A nossa Bejajica, iguaria maravilhosa que temos, que é a mistura da  massa da mandioca com amendoim. Vem de origem das  palavras Beiju, e Gica. Beiju = pão e jica = pequenos grãos (amendoin). Então a Bejajica,  se dá por essa junção.

A deliciosa Bejajica



O método indígena de fazer a farinha era bastante rudimentar e pouco rendoso. Com a tecnologia que conheciam, dos moinhos de vento, os açorianos criaram adaptações para que fossem movimentados os engenhos, utilizando-se da força de um boi. Em geral os engenhos de farinha são tocados por um único boi. 



Do encontro das culturas indígena e açoriana, surgiu o Engenho de Farinha.

Nossa região dos lagos, em nossa querida Imbituba, Imaruí, Garopaba e Laguna, dentre outras, ainda resistem algum engenhos de famílias que se preocupam com esse saber fazer.

A Associação Comunitária Rural de Imbituba - ACORDI, é um exemplo vivo na cidade de Imbituba. Realiza anualmente a Feira da Mandioca que reúne as famílias imbitubenses para apreciar a gastronomia local! 

 Feira da Mandioca reúne famílias para apreciar a gastronomia local

Sede da ACORDI

Também, é o exemplo da família do senhor Nicolau, que mora no Ribeirão de Imaruí. Além de manter a tradição em épocas da farinhada, costuma a reunir amigos em seu engenho para um bate papo cultural. Zé do Nicolau e sua família recebem as pessoas com um delicioso café com as iguarias extraídas da mandioca, que deixa aquele recanto com ar açoriano.

Nicolau recebe as pessoas com um delicioso café com as iguarias extraídas da mandioca

Ainda existem alguns engenhos pelo nosso litoral, com um modo mais tecnológico de fazer, porém, ainda traz a forma artesanal. No entanto, os catarinenses afirmam que nenhuma farinha se compara àquela produzida no litoral catarinense, pois, ela é fina, torrada e branquinha, dizem qualquer um desse nosso lindo e histórico litoral de Santa Catarina.

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