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Imbituba: Operação da Prefeitura com a PM derruba barracos e cercas instalados por  invasores de áreas públicas e de preservação na Divinéia Geral

Imbituba: Operação da Prefeitura com a PM derruba barracos e cercas instalados por invasores de áreas públicas e de preservação na Divinéia

por Administrador 19-08-2017 há 8 mêses 7324

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Fotos: Israel Costa/Portal AHora 

Fruto da parceria entre as secretarias de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Infraestrutura (Seinfra) e Meio Ambiente da Prefeitura de Imbituba com a Polícia Militar (PM), uma operação conjunta retirou cercas e derrubou barracos de invasores de áreas da Companhia de Distritos Industriais de Santa Catarina (Codisc), durante todo o dia desta sexta-feira (18), no Bairro Vila Nova Alvorada (Divinéia).

Em um clima de muita tensão que chegou a culminar em violência física por parte de invasores, respondida com tiros de bala de borracha pela PM, mesmo escoltados por quatro viaturas policiais, fiscais da Sedurb e operários das máquinas da Seinfra tiveram muito trabalho para retirarem as precárias edificações de madeira e mourões com arames farpados instalados pelos posseiros do local.

Ao todo, cerca de 70 pessoas, entre servidores públicos do município e policiais militares, realizaram a operação que teve início às 6h30 com a derrubada de dois barracos em um antigo campo de futebol próximo à uma escola e passou pela retirada de uma cerca montada por um proprietário de uma loja de matérias de construção do bairro.


Fiscais são recebidos com hostilidade e violência 

Depois, a ação conjunta chegou ao local mais problemático, para baixo de uma grande ribanceira situada a frente à Unidade Prisional Avançada (UPA) do município e que se estende até aproximadamente o mirante da Divinéia. Lá, segundo o Secretário da Sedurb, Anderson Maximiano, os profissionais foram recebidos com bastante hostilidade e violência por homens suspeitos de trabalharem para traficantes da região e que já haviam ameaçado pessoas que lhes questionavam durante a invasão. 


Maximiano conta que, no local, onde já foram encontrados vestígios de artefatos indígenas e que preserva espécies em extinção como o butiazeiro, por exemplo; fiscais foram ameaçados e operários das maquinas chegaram a ser agredidos por invasores, fato este que obrigou policiais a, no intuito de coibirem a violência, dispararem tiros de bala de borracha.

O crescimento demográfico e econômico tem causado pressões ao meio ambiente e à degradação, principalmente das Áreas de Preservação Permanente (APP). O terreno em questão vem trazendo preocupação, já que há décadas vem sendo tomado por invasores ou pessoas que reivindicam a posse. A cada dia, as terras que preservam espécies em extinção são invadidas por barracos que concentram crescimento urbano desordenado.


"Invasores seriam aliados ao tráfico e à criminalidade", relatam denúncias

A operação, que só terminou no final da tarde da sexta, originou-se de uma medida tomada na reunião com os setores de fiscalização e segurança pública, realizada na quinta-feira (17), na sede da Prefeitura, encontro que foi convocado pelo prefeito Rosenvaldo Júnior. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Urbano do Município, Anderson Cristiano Maximiano, denúncias anônimas relataram que as áreas concentravam suspeitos de tráfico de drogas, que invadiram e cercaram as terras para parcelamentos irregulares e possível habitação durante a terça (15) e quarta-feira (16).

Invasores instalaram cercas com arames farpado e barracos no intuito de parcelarem as terras públicas e se apropriarem dos terrenos


“Há algum tempo já estávamos planejando essa megaoperação para coibir o crescimento de invasões. Retiramos cercas, barracos e tivemos o enfrentamento de invasores, o que resultou na troca de tiros e dois funcionários públicos agredidos”, relata o Secretário ao Notisul.

Ele explica que uma parte da área da Codisc foi arrematada em leilão por um empresário em 2005, porém, por problemas burocráticos com o Estado, a escritura ainda não foi repassada ao novo proprietário. “Esse impasse no processo tem sido conhecido pelos invasores aliados ao tráfico e à criminalidade. Nosso objetivo é realizar outras ações para coibir os focos de invasões em áreas de APPs e amenizar o crescimento de favelas no município”, ressalta.


Ecossistemas de butiazais também estão em risco

As áreas invadidas em Imbituba concentram ecossistemas de butiazais e outras espécies em extinção. Para o analista ambiental da APA, Ronaldo Costa, o foco no butiá é extremamente relevante, por ser uma espécie de reconhecida importância ambiental e cultural.

“É necessário aliar a preservação e conservação do meio ambiente à sustentabilidade no uso dos recursos naturais contidos no interior das unidades de conservação de modelos sustentáveis, assim como no entorno das unidades de proteção integral”, explica.