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Jurídicas: Os desafios da mulher no mercado de trabalho

# por Cynthia Medina Teixeira Tsaldaris & Bruna Maria Kieling Brochado 06-05-2019 há 2 mêses 477

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Na semana passada tivemos o feriado em homenagem ao dia do trabalho. Essa data comemorativa tem o intuito de celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. No entanto, apesar dos grandes avanços, o mercado de trabalho atual tem muito por evoluir, principalmente no que tange a desigualdade de gênero que ainda existe e cria diversos obstáculos para as mulheres trabalhadoras. 

Ao longo dos anos as mulheres passaram por significativas mudanças no que concerne ao seu papel social. A “saída do lar”, a inserção no mercado de trabalho, a ocupação de espaços e a tomada de cargos na política são algumas das transformações ocorridas no “mundo feminino”.

Apesar disso, os desafios da mulher no mercado de trabalho ainda são muitos. Equilíbrio entre carreira e vida pessoal, desigualdade salarial, falta de oportunidades, assédio no ambiente de trabalho e conciliar, simultaneamente, maternidade e carreira são alguns dos exemplos do que nós, mulheres, enfrentamos para podermos nos estabelecer em nossas atividades laborativas.

Segundo o IBGE, em torno de 21,5% das mulheres com idade entre 25 e 44 anos têm nível superior completo, contra 15,6% dos homens na mesma faixa etária. Contudo, seguimos sendo desvalorizadas, recebendo, em média, cerca de ¾ do que eles recebem. Em 2016, enquanto o rendimento médio mensal dos homens era de R$2.306, o das mulheres era de R$1.764.

A disparidade na participação econômica e no número de oportunidades para mulheres é gigantesca. Essa realidade pode ser considerada inclusive para justificar os motivos de uma mulher se manter em um relacionamento abusivo e agressivo. Já que em nosso dia a dia da advocacia para mulheres podemos constatar que a dependência financeira da vítima para com seu agressor é um dos principais impeditivos para o rompimento do relacionamento. 

As discrepâncias entre pessoas do sexo feminino e masculino no que diz respeito ao trabalho começam desde cedo. Enquanto meninos são incentivados a brincarem de cientistas, astronautas, donos de loja, proprietários de fazendas de gado, por exemplo, as meninas ganham de presente jogo de panelinhas cor de rosa, casinhas da Barbie cor de rosa, ferro de passar roupa cor de rosa e todos os outros instrumentos (cor-de-rosa) para a limpeza e manutenção do lar, além de bonecas que choram e pedem o colo da “mamãe’’ para que treinem, desde cedo, como desenvolver as habilidades de secretária do lar e da maternidade.

Outro grande problema encontrado é a sobrecarga feminina. Mulheres-mães, em geral, são as mais atingidas. A cultura que perdura por anos, na qual se afirma que pessoas do sexo masculino são menos providas de capacidades de organização, limpeza e gerenciamento de um lar, nos trazem para a atual realidade. O último levantamento realizado pelo IBGE apontou que as mulheres trabalhadoras dedicavam 73% a mais do tempo de trabalho do que os homens para os afazeres domésticos e cuidados pessoais (família). Por lógico, a mulher que chegou do trabalho, varreu, passou roupa, fez comida, lavou a louça, ajudou os filhos nas tarefas escolares, os alimentou, deu banho, colocou para dormir e organizou a agenda do dia seguinte tende a ter menor rendimento em sua atividade laborativa do que o homem que chega em casa e descansa depois de um dia exaustivo de trabalho.

Outro ponto que merece destaque nesse assunto é: precisamos desmistificar o fato de que a mulher é mais frágil e emocionalmente vulnerável. 

É notório que presença e a força do trabalho feminino no mercado de trabalho é importante e tem ampla representatividade, contribuindo, e muito, para o crescimento do país. Contudo, a mulher, devido a sua capacidade reprodutiva, segue sendo considerada mais delicada e incapaz de assumir determinadas lideranças. Muitas mulheres acreditam que ter um filho prejudica a construção de uma carreira de sucesso e superar essa desconfiança leva tempo e muito provavelmente continuará a ser um dos maiores desafios a serem enfrentados na atualidade. Estranhamente, pouco se fala no papel social que a maternidade tem, em contrapartida há uma grande preocupação quanto a licença maternidade e o custo que empregar uma mulher traz à empresa.

Sabemos que todos os problemas acima elencados não serão resolvidos tão logo. Apesar disso, a força feminina é tanta que, apesar de terem que conciliar as diversas áreas de suas vidas e de existirem inúmeros desafios e paradigmas a serem quebrados, as profissionais têm superado as dificuldades e ocupado um lugar expressivo no mercado de trabalho. 

A mudança que queremos virá, sobretudo, com a nossa conscientização e conduta, tanto como empregadas(os), como empregadoras(es). Estarmos atentas às desigualdades e as denunciarmos é o primeiro passo rumo à igualdade!

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