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Confira a crônica 'Usina: um Monumento Esquecido!', pelo escritor Dario Cabral Neto  Artigos

Confira a crônica 'Usina: um Monumento Esquecido!', pelo escritor Dario Cabral Neto

# por Dario Cabral Neto 09-03-2019 há 2 mêses 1154

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Quando adolescente, isto nesta série dos anos 1970, a Usina, em operação precária, aguardava a conclusão da linha que supriria a ICC saindo do 110 e indo para o 220 volts, tive a honra de ver os seus últimos dias, até que esta honra foi transformada num silêncio de morte. Entendi que, assim como nós em carne; os monumentos são também sepultados no esquecimento.

Minha aventura pelos túneis, lanterna e coragem, espantando morcegos, sentindo o cheiro do carvão queimado nos dias que faltava energia e o gerador supria a Companhia Docas e Cerâmica. Tomava banho quente na descarga da água de refrigeração da Usina, quanto susto dava aos moradores do Canta Galo, pois ficava deitado na vala coberta de Fluorita e levantava ao ouvir as vozes.

Quantas broncas levei ao banhar-me na cisterna deste monumento, cuja arquitetura é exemplo de Engenharia, visão e garra de um só Homem, Henrique Lage?  Fato interessante, se acaso aquecer a massa que sustenta a pedra da base sentir-se-á o cheiro do óleo de baleia.

Tudo era e ainda é envolto de mistério. A arquitetura alta, o silêncio e ao mesmo tempo sons estranhos que se ouve ao penetrar pelos túneis e, destes, ir até o coração das fornalhas.
Tive o prazer de ver todo o maquinário, tudo lustrado, esmero dos operadores, dedicação operante, para um desleixo atual.

As sombras das pequenas árvores pedem bancos e iluminação. A vista para a lagoa morta era tão singular na vida exuberante daqueles tempos.  A chaminé era, e é, uma torre para as alturas e símbolo deste esquecimento.

Não só abandono, não, com razão já foi Museu, agora Teatro, cujos personagens tive prazer de ver atuando. Atores que nem suspeitam dos outros tantos no mesmo palco. Uma sala apenas com vida para um monumento com tamanha estrutura.

Imagino, e só posso imaginar, que seja questão de numerário a razão do abandono. Abandono que se desfaz na fração do telhado recuperado, transferência de responsabilidades entre aqueles cujo poder traria alguma coisa de bom e de bem para a cidade. Vai entender?!!



Somos assim mesmo, acho. Não é nosso! Não é meu! Não tem valor agregado ao bolso! “Tolos” personagens do esquecimento.
Minhas lamentações são os mesmos gritos daqueles cujo tempo fazem permanecer neste umbral silencioso na Usina. Fantasmas? Ou seria o lamento do tempo quanto ao descaso.

Os vidros opacos que davam aos olhares do interior que buscam no lado de fora imagens de caminho, agora tijolos tapam as janelas e portas, amparo para a saudade, olfato dos cheiros de carvão fumegando, estalos do carrinho nos trilho do túnel, levando cinzas da luz ofertada as casas de um passado tão recente.

Ficar numa tarde boa, olhando o Monumento, cada centímetro quadrado tem uma história para contar, cada sala vazia, outra pronta esperando ser ouvida, mas não; suas portas serradas impedem qualquer aprendizado.

Quanto ainda de mistérios povoa este Monumento? Certo é que há menos do que povoa outros Monumentos tão cheios de vida.
Sim, escrevo com certa raiva e pesar, sim é verdade. Pois ouço os lamentos daqueles que lá deixaram tempo, força vital, cuidados, dedicação, vida, orgulho, fortuna, indiretamente ouço outros gritos, aqueles que não mais singrarão os mares, pois deles o óleo mantém de pé tamanho descaso.

Não há culpados nem réus, é verdade.  Apenas o não poder ver o que vejo e sinto, não pode ser atribuído culpa ou responsabilidade; como posso culpar a falta de visão e ou sentimento pela cidade que administram? Cada qual com seu carma, cada um será cobrado sua parcela de ignorância, desconhecimento ou descaso. O tempo passa para todos. Assim monumentos menores e particulares serão também esquecidos, um vaso tosco com flores secas, um nome e uma data.

O convite está lançado. Venham todos, venham! Tragam uma toalha em Xadrez, uma cesta com quitutes, coração cheio de conversas boas, bobas e amor, amor pelo passado da cidade, respeito pelo passado da cidade, um piquenique há moda antiga, sobre as sombras das pequenas árvores ou sobre as da Usina, buscando as vozes do tempo, o ruído surdo do gerador cantando luz para a cidade.   

Quem sabe as portas sejam abertas à visitação, visitação completa, não numa sala, pois, para mim, Memória Histórica deve ser completa, e não fragmentada.
Quem sabe os fantasmas que ali vivem possam vir a ter sobre a toalha o prazer de uma conversa, ou um susto bobo, entre o ranger de uma porta sem lubrificação.
Somente aos pombos ficou o direito e a guarda deste Monumento, Usina.

Fim!

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SOBRE O COLUNISTA: Com 45 anos dedicados a criação de histórias e a produção de livros, Dario Cabral da Silva Neto, de 60 anos escreve poesias e se dedica ao desenvolvimento de romances. Dos 20 títulos já escritos, oito foram publicados.

Entre 1973 e 2000, Dario era, exclusivamente, poeta, mas em 2000, decidiu se transformar em romancista. Entre as surpreendentes obras, que são vendidas por R$ 30, estão os clássicos Catador de Sonhos, Uma Questão de Amor, A Ravina, Pétalas de Amor, O Segredo de Melissa e a Caminhada do Zé Mundão.

Os livros escritos por Dario não tem um foco religioso, mas trazem mensagens espiritualizadas. 

Para adquirir as obras de Dario basta realizar contato com o escritor pelo Messenger do Facebook (in box) ou pelo telefone (48) 999378198. 


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