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Importante acervo de sambaqui da região de Laguna estava no Museu Nacional que foi consumido pelo fogo no Rio de Janeiro Cultura

Importante acervo de sambaqui da região de Laguna estava no Museu Nacional que foi consumido pelo fogo no Rio de Janeiro

por Redação 04-09-2018 há 2 semanas 300

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Parte da história de Santa Catarina, mais precisamente da região, também pode ter se perdido no incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Aproximadamente 250 ossadas provenientes de sepultamentos encontrados no sambaqui de Cabeçudas, em Laguna, faziam parte do acervo do local que foi destruído no último domingo.

Formado principalmente por coleções de ciências naturais — incluindo arqueologia, zoologia, botânica, etnologia e antropologia —, o museu tinha diversas pesquisas e artefatos relacionados a sambaquis de Santa Catarina – entre eles um dos sítios arqueológicos mais expressivos do Estado: o sambaqui de Cabeçudas.

De acordo com o arqueólogo Alexandro Demathé, do Grupep (Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia), da Unisul, estes 250 sepultamentos são fruto de uma pesquisa que foi realizada há mais de 50 anos no Litoral Sul do Estado, pelo arqueólogo e antropólogo Castro Faria, que tinha toda sua obra exposta no museu carioca.

“Esta ossada é datada de aproximadamente quatro mil anos e, além de todo o valor histórico, ela serve até hoje como material de estudo e pesquisa. Ainda estamos em busca de notícias a respeito da situação deste acervo, para saber se ele também teve perda total no incêndio”, comenta Demathé.

Esta perda deve afetar pesquisas atuais, porque muitas pessoas estavam fazendo projetos em cima desse acervo, o qual serviria também para futuras pesquisas, porque as coleções poderiam ser utilizadas por outros pesquisadores, segundo o arqueólogo.

“Fala-se que foram perdas de 200 anos. Mas foram 200 anos de pesquisa, e milhares de anos da nossa história. É um baque pra nossa história do Brasil. É triste demais. Chorei quando vi as imagens”, lamenta o arqueólogo, que já visitou o local anteriormente e, inclusive, fez diversos estudos”, avalia.

A bióloga e arqueóloga Jéssica Mendes Cardoso, também do Grupep, conta que realizou pesquisas no museu e que esta é uma perda irreparável.

“O que aconteceu é um retrato do descaso com a história que assola nosso país. A falta de cuidado na conservação dos nossos patrimônios, que se deterioram a olhos vistos, mostra isso. O incêndio no Museu Nacional é um grande e triste símbolo deste descaso”, pontua.

OUTROS ACERVOS

Além desse sambaqui, o Museu Nacional também tinha pesquisas sobre outros sítios arqueológicos catarinenses, incluindo materiais como esqueletos e zoólitos. Como ainda há possibilidade de salvar parte do acervo, mesmo que pequena, não é possível garantir que as coleções de Santa Catarina foram totalmente perdidas. Documentos e espécimes da flora catarinense enviados pelo padre Raulino Reitz, o maior pesquisador botânico do Estado, ao também pesquisador A. C. Bade, no Rio de Janeiro, também podem estar entre as peças destruídas pelo incêndio.

CAUSAS DO INCÊNDIO SÃO INVESTIGADAS

O incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, situado na Quinta da Boa Vista, local histórico da zona Norte do Rio de Janeiro, na noite desse domingo destruiu também boa parte da história e da pré-história do Brasil.  Ainda não há dados sobre as causas do incêndio, que serão investigadas. O prédio poderá ser recuperado, mas as coleções, não.

Especializado em história natural, o Museu Nacional é o mais antigo centro de ciência do Brasil e o maior desse tipo na América Latina. Criado em 1818 por Dom João VI, ainda sob o nome de Museu Real, foi localizado entre as atuais ruas Visconde do Rio Branco e da Constituição, no Centro do Rio. O museu está subordinado desde 1946 à Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj).

O acervo contava com mais de 20 milhões de peças das áreas de antropologia, botânica, entomologia, geologia e paleontologia, além de documentos históricos do trabalho científico feito no país nos últimos 200 anos, e mais de 474 mil obras bibliográficas.

A vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo, disse que cerca de 10% do acervo não foi destruído após o incêndio. Segundo a vice-diretora, foram preservados o meteorito Bendegó, parte da coleção de zoologia, a biblioteca central do museu, outros minerais e algumas cerâmicas, o herbário e o departamento de zoologia de vertebrados. Foi destruído tudo o que estava no prédio principal, exceto meteoritos, o acervo mobiliário do 1º reinado e peças herdadas da família imperial.

O museu ocupa um prédio histórico que remonta ao Império: serviu como palácio da família real portuguesa. Com a Proclamação da República, em 1889, e o consequente banimento da Família Imperial do Brasil, os aposentos internos do palácio foram descaracterizados, e a maior parte do mobiliário foi leiloada. Em 1938, o prédio foi tombado pela antiga Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em junho deste ano, o Museu Nacional completou 200 anos.

ACERVO IMPORTANTE SERVIA COMO ESTUDO

Um dos mais importantes itens presentes no acervo do Museu Nacional era um fóssil humano, achado em Lagoa Santa, em Minas Gerais, no ano de 1974. Batizado de Luzia, fazia parte da coleção de antropologia. Trata-se do fóssil de uma mulher que morreu entre 20 e 25 anos, e seria a habitante mais antiga das Américas.

Outra preciosidade era o maior meteorito já encontrado no Brasil, chamado de Bendegó, pesando 5,36 toneladas. A pedra é de uma região do sistema solar entre os planetas Marte e Júpiter, e tem mais de quatro bilhões de anos. O meteorito foi achado em 1784, no sertão da Bahia, na localidade de Monte Santo. Quando foi encontrado, era o segundo maior do mundo. A pedra integra a coleção do Museu Nacional desde 1888.

Dom Pedro arrematou, em 1826, a maior coleção de múmias egípcias da América Latina. São múmias de adultos, crianças e também de animais, como gatos e crocodilos. A maioria das peças veio da região de Tebas.

Formado ao longo de mais de dois séculos, era a principal base para as pesquisas desenvolvidas em todas as regiões do país e em outras partes do mundo, incluindo o continente antártico. Possuía uma das maiores bibliotecas especializadas em ciências naturais do Brasil, com mais de 47 mil volumes e 2,4 mil obras raras.

 

Fonte: Diário do Sul

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