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Caso Isadora: Polícia Civil prende Paulinho Xisto em seu cartório, em Imbituba, após supostos descumprimentos de medidas e coação a delegado Segurança

Caso Isadora: Polícia Civil prende Paulinho Xisto em seu cartório, em Imbituba, após supostos descumprimentos de medidas e coação a delegado

por Administrador 16-07-2018 há 4 mêses 46850

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A Polícia Civil de Imbituba acaba de cumprir o mandado de prisão preventiva do oficial de cartório Paulo Odilon Xisto Filho, de 36 anos, que é acusado, entre outros crimes, de matar a namorada, a modelo gaúcha Isadora Viana Costa, de 22 anos, no dia 8 de maio, em seu apartamento no centro de Imbituba. 

Paulo responde por homicídio qualificado, fraude processual, posse de acessório de arma de fogo de uso restrito e de coação no curso do processo, bem como pelo descumprimento de medidas cautelares.

O Juiz Welton Rubenich, da 2ª Vara de Justiça da Comarca de Imbituba atendeu, nesta segunda-feira (16), por volta das 15h, o pedido feito pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O delegado Juliano Baesso, três agentes da Polícia Civil e um Oficial de Justiça prenderam Paulo no cartório de Registro de Imóveis do qual ele é o Oficial, no centro de Imbituba.

 Segundo o delegado Juliano Baesso, Paulo não resistiu à detenção, não necessitando para isso o uso de algemas e foi conduzido, escoltado por policiais civis, até um hospital da cidade de Tubarão onde realizou exame de corpo de delito no IGP (Instituto Geral de Perícias) de Tubarão antes de ser encaminhado à Unidade Prisional Avançada de Imbituba. 

Houve a necessidade de um exame mais detalhado já que Paulo se encontra com um hematoma nas costas, o qual informou aos policiais ter sido originado de um tombo. A Justiça aguarda manifestação da defesa do acusado, que ficará preso por tempo indeterminado, cabendo recursos.

A defesa do oficial de cartório disse que considera "desnecessária" e "descabida" a prisão porque Paulo nega o crime está ajudando na apuração do caso.


Delgado Juliano Baesso conduziu o cumprimento do mandado de prisão preventiva de Paulo Odilon Xisto Filho
Delgado Juliano Baesso conduziu o cumprimento do mandado de prisão preventiva de Paulo Odilon Xisto Filho

Motivos para a prisão do suspeito

Paulo Odilon Xisto Filho tornou-se réu por homicídio qualificado (motivo fútil, com pouca chance de defesa da vítima e feminicídio). Levando em conta que Paulo não tinha antecedentes criminais, a Justiça já havia negado dois pedidos de prisão preventiva do acusado feitos pelo delegado titular da Comarca de Imbituba, Raphael Rampinelli, o qual comandou todas as investigações do caso até a conclusão e entrega do inquérito policial à Justiça. 

No entanto, diante de alguns áudios de Paulo enviados a um grupo de WhatsApp formado por mais de 40 pessoas, onde o acusado, com voz aparentando embriaguez, desrespeita, ameaça e fere a honra de Rampinelli, a Polícia solicitou mais uma vez a prisão do acusado sustentando que o réu teria descumprido parte das cautelares e que estaria havendo a coação do Delegado durante as investigações. Contudo, no dia 5 de julho, o pedido foi negado, mas foi determinada a busca e apreensão na pousada onde ele vivia, na Praia do Rosa.

O requerimento do MPSC que originou a prisão de Paulo foi então feito após busca e apreensão no quarto de Paulo, onde foram encontrados garrafas de bebidas alcoólicas e registro de pedidos de entregas bebidas alcoólicas, o que comprovou descumprimento das medidas cautelares. Segundo a Polícia Civil, uma irmã, uma amiga da irmã e uma amiga de Paulo chegaram a afirmar que as bebidas teriam sido consumidas por elas, mas entraram em contradições, o que fortaleceu a tese do pedido de prisão e pode também ter influenciado na decisão do magistrado.

O Oficial de Cartório também estava proibido de se ausentar da Comarca, sair à noite, de usar álcool e drogas ilícitas e de ter contato com testemunhas e demais envolvidos no caso. Outro fato que intrigou a Polícia no dia do cumprimento do mandado de busca e apreensão, foi o fato de não ter encontrado o celular do acusado, que por sua vez disse ter “perdido o aparelho”. 

Acusação

O Ministério Público acusa Paulo de ter imobilizado a namorada após uma discussão e dado vários golpes no abdômen dela, provocando a morte. Segundo o MPSC, ele tem porte físico avantajado, pois é lutador de artes marciais. Uma amiga dele, que é advogada, é acusada junto a Paulo de ter alterado a cena do crime e responde na Justiça por fraude processual. 

Os socorristas do Corpo de Bombeiros que atenderam Isadora após a agressão disseram à polícia que o lençol da cama estava sujo de sangue. Porém, quando os investigadores chegaram, a cama estava sem lençol, que teria sido removido por uma amiga do acusado. Ela foi denunciada por fraude processual.

A defesa do oficial de cartório disse que considera "desnecessária" e "descabida" a prisão porque Paulo nega o crime está ajudando na apuração do caso.
Titular da Comarca, Delegado Raphael Rampinelli conduziu as investigações do caso Isadora


Outro lado

A defesa do acusado disse que não é possível afirmar que o oficial do cartório foi o responsável pela morte da modelo.
“Faltam laudos ao processo. É uma fatalidade tanto para Paulo quanto para a família de Isadora, uma vez que tinham um relacionamento. As causas da morte súbita ainda não foram elucidadas. Precisamos verificar se a ingestão de substâncias entorpecentes podem ter relação com a morte”, afirmou Bruno Seligman de Menezes. 


Cena do crime modificada

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, Paulo Odilon cometeu feminicídio contra a namorada e ainda, que o crime foi qualificado por motivo fútil e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de cometer fraude processual, ao modificar a cena do crime a fim de induzir o perito a erro.

"Demonstrando extrema frieza e dissimulação, após matar a vítima, o denunciado solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, informando que ela estaria tendo uma convulsão e teve o cuidado de espalhar no local diversas cartelas de remédios controlados, para dar credibilidade a sua versão", explica a Promotora de Justiça na ação.
Paulo Odilon, que também foi denunciado por posse ilegal de acessório de uso restrito para arma de fogo, conheceu Isadora na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no mês de março de 2018. Os dois logo começaram a namorar e no dia 22 de abril a jovem aceitou o convite para passar uns dias no apartamento do namorado, em Imbituba.

Segundo consta na denúncia, desde que começou a conviver com o namorado, Isadora constatou que Paulo Odilon era usuário contumaz de cocaína, drogas sintéticas, bebidas alcoólicas e remédios controlados. A vítima também teria percebido, e confidenciado a amigas, que nos momentos em que ele estava sob efeito de drogas se tornava agressivo e descontrolado.


Detalhes do que teria acontecido na noite da morte, segundo o MPSC

Durante a noite de 7 até a madrugada do dia 8 de maio, ainda de acordo com a denúncia, o casal ingeriu bebida alcoólica. O denunciado também usou cocaína. Por volta de 05h45, Isadora acreditou que o namorado estivesse passando mal. Paulo Odilon espumava pela boca. Desesperada, Isadora decidiu chamar a irmã do namorado para socorrê-lo. Ocorre que o oficial de cartório escondia da família que era viciado em drogas.

Atendendo ao chamado de Isadora, a irmã de Paulo Odilon, acompanhada do noivo, foi até o apartamento do irmão por volta das 6 horas da manhã. O denunciado, trancado no quarto, não atendeu aos chamados da irmã. A porta foi arrombada. Após constatar que Paulo Odilon estava bem, a irmã e o noivo foram embora. Assim que saíram, o oficial de cartório teve uma explosão de fúria.

Como tentava esconder da família o vício, Paulo Odilon ficou furioso com a namorada pelo simples motivo dela ter chamado a irmã para socorrê-lo. Porte físico avantajado, forte e lutador de artes marciais, o oficial de cartório surpreendeu Isadora e a imobilizou lhe desferindo diversos golpes no abdômen. 

"O médico legista concluiu que as lesões traumáticas encontradas no abdômen da vítima, como laceração de vasos abdominais e laceração hepática, foram decorrentes de ação mecânica de alto impacto contra o abdômen e provavelmente repetitiva, compatíveis com múltiplos chutes, joelhadas e socos", escreveu a Promotora de Justiça na ação.

Após, segundo o MPSC, matar a namorada, Paulo Odilon solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros. "Ao invés de acompanhar a vítima, que não tinha nenhum familiar ou amigo na cidade, até o hospital, o denunciado Paulo Odilon permaneceu em sua residência, a fim de ocultar provas, dificultando o trabalho de investigação", sustenta a Promotora de Justiça Sandra Goulart Giesta da Silva.

O oficial de cartório foi para o hospital após modificar a cena do crime. Lá encontrou uma amiga, Nathália Grahl de Oliveira, e a entregou a chave do apartamento para que ela tirasse o lençol sujo.
A denunciada Nathália não se limitou a levar somente o lençol, levou também outros objetos, inclusive, segundo a Promotora de Justiça, garrafas de bebida alcoólica.

Drogas e armas

Diante das evidências que a morte da vítima se tratava de um homicídio, a Delegacia de Polícia de Imbituba requereu a expedição de mandado de busca e apreensão na residência do denunciado. No dia 14 de maio, foram apreendidos um prato e três canudos de plástico com vestígios de cocaína, bem como duas toalhas, duas camisetas e quatro pedaços de panos com vestígios de sangue, dois deles já estavam lavados e dois ainda estavam de molho em um balde com água.

Além disso, foram apreendidos uma espingarda, marca Boito, número G06045310, calibre .12, bem como 80 munições calibre .12, 66 munições calibre .380. Uma pistola Glock, número NKY614, calibre .380 foi entregue posteriormente à polícia. As armas estavam com os registros vencidos. Também foram apreendidos uma mira à laser para uso em arma de fogo, fabricada na Argentina por Láser Car TRL, modelo Cat Glock Series, acessório de uso restrito, que Paulo Odilon possuía, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

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