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Uma coluna qualquer
Dario Cabral Neto


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Faço uma pergunta... Quem de vocês já teve um amigo zombeteiro, safado, brincalhão, gozador, um M A L A? Pois é, na pequena vila de Esperança morava Malaquias, como o nome sugere; um MALA. Vivia pregando peças nos amigos, ora fazendo trote, ora buscando meios de fazer mais uma vítima. 360

Os vidros opacos que davam aos olhares do interior que buscam no lado de fora imagens de caminho, agora tijolos tapam as janelas e portas, amparo para a saudade, olfato dos cheiros de carvão fumegando, estalos do carrinho nos trilho do túnel, levando cinzas da luz ofertada as casas de um passado tão recente. 1055

“Tudo, mas tudo que neste texto relato é a mais pura ficção, mas claro alguém vai se identificar com o texto, isto - não é culpa minha.” 1075

Verão de 1975 foi de maravilhas para todos que estavam em Imbituba. Época mágica, ondas grandes, água clara e quente atraiam turistas aos montes. Todos ganhavam, acrescento que todos os nomes aqui descritos são ou conhecidos ou fictícios. 1661

Foto de capa: No calçadão da Rua Nereu Ramos, anos 70, onde é hoje o Banco do Brasil. Residências do Sr. Osório e Tobias Tolentino (que aparece na foto com Dona Maria) 1271

Vou crescendo, voltando ao que sou hoje, mas nada consegue apagar a vila dos pescadores e outros lá da beira da praia. A visão das bicicletas com robalos e corvinas pendurados no guidão, o grito chamando à atenção, o apelido feio e o palavrão de troco. O entardecer me toma e desembrulha a saudade, o vazio do pouco que sobrou cá embaixo é o esplendor colorido das casas lá de cima. 1615

Eu não era um guri religioso. A senhora foi até a pia de água benta, molha os dedos e faz o sinal da Cruz. Faço o mesmo, mas não naquela perfeição, digamos que desenhei uma mandala entre cabeça e peito, muito longe de ser comprado ao sinal da Cruz. 1269

Quando a barragem do Rio Doce rompeu, escrevi um poema, senti e imaginei tais sofrimentos como se comigo fora. Tenho filha especial, é impossível imaginar como poderia sobreviver buscando escapar de tal catástrofe. Seríamos colhidos pela morte é certo. Agora busco nesta proposta compreender, as razões de tanta imperícia, negligência, redundante descaso com a Vida Humana e com a Natureza. 1634

Uma paradinha no Bar “Tomei Café Agora”, estava fechado, aproveitei a sombra, apertei o nó do cordão do meu chapéu de palha, verifiquei as garrafas, reclamei do pneu traseiro murcho, sem remédio remediado está. Sigo até a parte dos fundos do terreno dos donos do bar, que são amigos de meu pai. Coloco a Monareta encostada na cerca e com a canoa de coqueiro mais o gongá. Adivinhem? Refiz os laços da minha conga, pé na trilha que ainda falta um bocado.​ 1778

Sempre que vou e lembro-me de um lugar, procuro a visão do hoje e do pretérito. Sentar à sombra de uma árvore, olhar o todo e sentir sua energia. Procuro dividir minha visita em alguns pontos: passado com sua energia, o cenário não transformado e o presente com suas características, assim consigo ter um cenário completo, se verdadeiro ou não, é ocasião ou ponto de vista, ficando para cada um a sua crítica. 1579

Maria e suas flores Amanhece o dia na pequena Vila de São Tomás, uma cor entre o azul e o cinza estampa de um céu indeciso, o ar é quente, pássaros cantam buscando pares, buscando alimento. Uma revoada de cupins anuncia a chuva tão perto. Despertar é tão custoso quando se está enfermo, a febre não baixa, a mesa ainda posta divide seus farelos com algumas formigas, a pia com a louça desfaz-se do brilho pedindo água. 1662

Dizer que era uma casa de amor; as imagens citadas o dizem por si, o cheiro doce e agradável do bolo recém-assado fugia pela janela indo de encontro daqueles que passavam na rua estreita que levava ao centro da vila. 1224

Os anos 1970 foram de aventuras, buscávamos aprendizado. Quando não era desbravar o banhado da Lagoa da Bomba, era outro lugar da cidade. Numa manhã de domingo, estávamos prontos, mas tudo começou uma semana antes, quando um dos da minha gangue (risos) veio com uma ideia louca: 1218

A porta se abre, rangendo feito um animal ferido, a luz que entra é uma mistura de luz e poeira, daria para tocar de tão densa. A sombra delineava a silhueta disforme de um ser humano. Um olhar para dentro mostra uma casa desarrumada, suja, escura e sem vida 2148

Na cozinha João conversava com sua esposa, Marina. As coisas não iam bem e nem foram durante o ano. Agora, mais ainda preocupados, buscavam um no outro o conforto e forças para os dias negros que estavam por vir. Desempregado, João não mais tinha o que receber do seguro-desemprego. Marina, fazendo unhas, não supria as necessidades. 1428

Sabe quando o bolso aperta, o carro fica na garagem, sem bicicleta e, mesmo que a tivesse, pedalar seria complicado? Tomo o circular e sigo numa proposta de venda de um dos meus livros, “A Caminhada de Zé Mundão”. Olhar pela janela é como seguir quadro a quadro um filme no qual presente e passado começam a se apresentar. A pergunta é feita ao senhor que esta ao meu lado: “o senhor sabe por que Nova Brasília? “Nem imagino”, é sua resposta. 1409

Um porto para suprir as necessidades daqueles que transformaram Imbituba de vila à cidade. Um hidroavião fazendo ponte no Portinho da Vila, coisa chique, hoje já tão esquecida nas rodas de conversas à beira da Lagoa do Mirim. O barracão com guincho; recuo de barco e avião, guardião da história, cenário em cascalho embranquecendo qual tapete o recanto dos piqueniques, namoros, pescarias fartas em noite de luar. 1581

scolho uma trilha, mochila nas costas, cajado, chapéu e pé na estrada. A princípio asfalto, calçamento em pedras, olhar as casas que o tempo desbota tintas, noutras o zelo do gostar de jardins, nas flores tão bem cuidadas. Passo firme neste início de caminhada, o calor não incomoda, um sorriso de quem diz a si mesmo vai ser complicado, caminho longo dando a volta no Morro do Mirim. 1440

Seguia o trilho em direção a Vila Nova. O cenário sempre foi mais belo e cheio de novidades, a Lagoa da Bomba, Barra do Araçá, o túnel logo adiante, uma subida forte no morro do cemitério, o pasto com seus gados ariscos, a pequena lagoa no pasto lá embaixo e, enfim, a praia; já depois da Barra do Araçá. 1597

Há muito tempo o morro de Itapirubá perdera sua capa de vegetação. O pasto nativo por baixo dela era bom para criar as ovelhas, e tudo está quase igual como quando ainda guri. As casas eram poucas, espalhadas na planície e duas ou três no morro. As ruas em desalinho seguiam o espaço das casas, areia ou barro, eram apenas linhas disformes. 1516




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